Energia nuclear volta ao cenário mundial. Parece que o Brasil também acordou?
A energia nuclear voltou a ganhar destaque no cenário global. Um passo
importante foi dado recentemente pela União Europeia, que anunciou novos esforços
para impulsionar o desenvolvimento do segmento.
Depois de classificar como um equívoco estratégico a decisão do bloco europeu
de deixar por anos a energia nuclear em segundo plano, a presidente da União
Europeia, Ursula Von der Leyen anunciou que o bloco vai reservar 200 milhões de
euros (cerca de R$ 1,2 bilhão) para apoiar tecnologias nucleares inovadoras.
E felizmente, parece que nós também acordamos. O Brasil e mais três países
(China, Itália e Bélgica) aderiram a um compromisso internacional, que agora reúne 38
nações, com o objetivo de triplicar a capacidade global de geração de energia nuclear
até 2050.
A assinatura aconteceu no último dia 10 de março, durante o Global Nuclear
Energy Summit, realizado na França. A adesão brasileira foi assinada pela
embaixadora Claudia Vieira Santos, atual representante permanente do país junto
à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A decisão brasileira é um sinal claro de que o Brasil está vendo com outros
olhos a gravidade da situação mundial, que exige medidas urgentes para garantir a
demanda crescente de energia com fontes limpas e firmes. E nesse contexto abriu
finalmente os olhos para a tecnologia nuclear e passou a enxergar a sua importância
para cumprir as metas climáticos e frear o avanço da temperatura no planeta.
O sinal mais claro disso está no Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, lançado
recentemente, que elevou a projeção da fonte nuclear no país de 8 GW para 14 GW.
Embora ainda seja apenas uma intenção, deixa claro uma sinalização política favorável
à ampliação da energia nuclear no planejamento de longo prazo.